Celular: não ao novo órgão humano!

Por Francis Ivanovich:

Hoje é um dia marcante na história da humanidade, Steve Jobs apresentava ao mundo o primeiro celular Iphone que você tocava na tela para fazer uma chamada, acionar alguma função, escrever, fotografar, filmar, gravar. No vídeo acima, você verá Jobs apresentando ao planeta a ideia do novo órgão humano. Era o dia 09 de janeiro de 2007.

A partir daquele dia, nossa vida nunca mais seria a mesma. Hoje, o celular é praticamente um objeto de sobrevivência para cada pessoa. Ou pelo menos eles querem nos convencer disto. Nossa vida afetiva, financeira, profissional, saúde estão dentro dele, ou melhor, acopladas a ele. Eles cada vez mais sabem tudo sobre cada um de nós. Se você não possui um celular, você pode ser considerado alguém que não existe. Alertam os donos do mundo.

Quero fazer uma reflexão sobre esta aparente maravilha. Creio firmemente que ao permitirmos nossa dependência a esta máquina e a tudo que está por trás dela, estamos tomando um caminho sem volta, cujo o destino final é previsível e que ao meu ver, não tem nada de maravilhoso.

Temo, sinceramente, que estamos indo na direção da servidão, de uma nova forma de escravidão, perda da identidade, extinção da liberdade individual e coletiva, sério perigo à democracia.

Já estamos sendo controlados por um pequeno grupo de pessoas que dominam a tecnologia da informação. Os algoritmos são os elos de uma nova corrente que vai nos aprisionar para sempre. Estamos nos tornando servos de empresas que prometem o paraíso, mas que na verdade, preparam para as gerações futuras o verdadeiro inferno de Dante. Eles só desejam nos explorar.

Não seremos conhecidos pelos nossos nomes, mas pelo número do nosso órgão tecnológico que eles planejam implantar em nosso cérebro, de alguma forma. Se isto ocorrer, você verá pelas ruas pessoas paradas como totens, conversando mentalmente com alguém distante, algo semelhante quando você vê alguém falando sozinho na rua, com um fone de ouvidos conectado ao celular.

A pandemia está acelerando este processo de perda da liberdade. As empresas tecnológicas nunca cresceram tanto, faturaram tanto com a nossa desgraça. E nunca ficamos tão distantes, tão iludidos de que a tecnologia está nos ajudando, quando, por exemplo, temos a possibilidade de falar pela tela com alguém que amamos.

No entanto, nunca ficamos tão sozinhos, tristes, e ao mesmo tempo, nunca escrevemos tanto, falamos tanto, fotografamos e filmamos como agora. Todos nós somos produtores de conteúdo, mesmo que vazios.

O mundo nunca se sentiu tão angustiado. Há no ar um cheiro de desespero. As indústrias farmacêuticas e os traficantes nunca venderam tanta droga. Nossa vida e nossa liberdade ficaram refém dos anestésicos.

Só vejo um caminho para barrar este quadro dantesco. A eterna rebeldia! A Arte pode ser um dos canais de libertação. Precisamos virar este jogo! Não podemos permitir que nos escravizem, nos explorem, nos manipulem, roubem a nossa humanidade. Essa gente quer nos transformar em máquinas obedientes e consumidoras.

Cabe a cada um de nós ficar atento sobre isto, e através de algumas atitudes poder contribuir para impedir esse processo cruel. Em nossas mãos está a própria resposta: Como utilizar o celular.

Devemos colocar este objeto no seu devido lugar! Ele deve nos servir de verdade e não o contrário, e muito menos nos espionar. Devemos tornar racional o seu uso. Podemos nos rebelar e voltar a nos comunicar de verdade, nos encontrar realmente, e porque não, até escrever cartas, sim as velhas cartas postadas nos correios. Podemos desligar este aparelho que insiste em ficar ligado. Assim como desligamos o botão da luz de casa.

Precisamos dizer claramente a esta gente que nos empurra goela abaixo suas falsas maravilhas que NÃO VÃO NOS CONTROLAR!

Caso contrário, o novo órgão humano vai ser implantado para sempre, se fundindo à nossa carne e alma. Deixaremos de ser humanos e livres.

Francis Ivanovich é jornalista, autor, diretor de teatro e cinema e integrante do Saravá Cultural.

1 comentário

  1. Acredito que grande parte da população do mundo, já está escravizada, dentro deste contexto. Pois basta observar o negacionismo das pessoas que não ouvem, nem querem ouvir uma outra opinião, só repetem aquilo que foi afirmado tantas vezes no ZAP, sem pesquisa a fonte.

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