Ruge o ano do tigre

Por Luã Reis:

Com o ano novo lunar, nesse 1º de fevereiro, se iniciou o Ano do Tigre, segundo o zodíaco chinês. Há uma semana de festas no país, a “Semana Dourada”, no qual o povo da China celebra com fogos de artifícios, festas, jantares, com todos devidamente vestidos de vermelho e amarelo.  O tigre é energético, porém também sábio. Há leveza na sua intensidade, como apontam as diversas recorrências ao felino presentes na cultura chinesa.

Xi Wang Mu é a Rainha Mãe do Ocidente, que nas montanhas nasceu tigre, se tornou mulher e depois deusa. Das mais importante das divindades, ela varia entre essas formas, tendo poder sobre os deuses que regem a peste, a prosperidade, a guerra, a sexualidade, a bestialidade o caos e a eternidade.

Como também bestial e coroado é o tigre. Mas nem sempre foi assim.

Quem mandava nas florestas era o leão. Dos céus, o Imperador Amarelo via o leão abusar do seu poder, sendo injusto com os outros animais. O imperador convocou o gato para que treinasse o primo dele, o tigre, para que desafiasse e substituísse o leão. Vencendo a desconfiança geral, o tigre foi derrotando um a um dos aliados do leão, até finalmente assumir seu reinado.

Essas histórias têm diversas versões, adaptações e sincretismo não só na China, mas por toda a Ásia, contadas para as crianças como transmissão da cultura popular. As mães e pais chineses apelidam carinhosamente os filhos pequenos de “tigrinhos”: “hu” que significa tigre, tem som e ideograma semelhantes a “fu”, que é “boa sorte” ou “abençoado”.

Ao discursar para o povo chinês, abrindo as festividades de ano novo, Xi Jinping lembrou a necessidade de encarar os desafios que se apresentam como o tigre, “o rei dos animais” que se mantém “firme, forte e confiante”.

O mais importante fato político do nosso tempo é A Nova Rota da Seda, projeto chinês em execução, de corredores comerciais, altamente tecnológicos, conectando toda a Eurásia, chegando até a África e América Latina. Rotas que fluem do leste ao oeste, sob os auspícios da prosperidade de Xi Wang Um, indo em direção ao Ocidente que ela vela.

O velho poder, capenga, mas arrogante, como o leão da história, se coloca na frente do tigre que avança. Mas é inevitável que a lua entre na fase nova. O nome do poder que se recusa a partir é “imperialismo”. No entanto, como ensinou um poeta do sudeste da Ásia, ele é um tigre, mas de papel.

Luã Reis é Mestre em História.

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