A chegada do Samba ao Rio de Janeiro

Por Roberto Rutigliano:

O Samba de Roda viaja para o Rio de Janeiro junto com as migrações que chegaram às terras cariocas trazendo as tias baianas no êxodo que ficou conhecido como diáspora baiana.  

Hilária Batista de Almeida, conhecida como Tia Ciata, nasceu na Bahia em 1854. Aos 22 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, e se instalou na Rua Visconde de Itaúna 117 no bairro  da Praça Onze -também chamado pequena África (ela na foto).

No Rio, Tia Ciata, mulher negra, boa cozinheira, mãe de santo e grande liderança organizava reuniões sociais na sua casa onde se congregavam músicos cariocas para tocar Samba, Maxixe e Choro.

As duas correntes cariocas.

Na casa da tia Ciata os jovens músicos que se reuniam se dividiram em duas turmas: a do Donga, Pixinguinha, Sinhô Heitor dos Prazeres, João da Baiana e Mauro de Almeida, e outra que depois será reconhecida como a do Samba do Estácio com Ismael Silva, Nílton Bastos, Bide e Marçal.

 O Samba tinha um sotaque ligado com o Maxixe, no Rio de Janeiro, até incorporar a frase rítmica do Cabula (Cabila), que é um toque do Candomblé da tradição de Angola.

O Samba amaxixado de Sinhô e Donga começou a ganhar a oposição do Samba do bairro do Estácio, com nomes como Ismael Silva- Samba que tinha uma grande influência percussiva.

A briga produziu várias acusações. O Samba do Estácio começou a ser chamado de Batucada e se dizia que ele parecia uma Marcha, porque estava intimamente ligado ao desfile de rua; enquanto que o Samba de Donga foi suspeito de ser na realidade um Maxixe.

As discussões sobre a “legitimidade do samba” continuam até hoje. Se observarmos o famoso embate entre Donga e Ismael Silva, expoentes de suas respectivas gerações, um dos impasses parece resolvido. Mas na medida em que ambos reivindicam o nome de Samba, deixam claro que não se tratava da mesma coisa, pois, do contrário, não haveria sentido nenhum tais reivindicações.

Aqui um vídeo no qual Ismael Silva fala sobre o tema:

A história, mãe juíza de todas as controvérsias, foi categórica: o Samba amaxixado ficou esquecido e o Samba do Estácio ficou como o verdadeiro Samba.

*Roberto Rutigliano é músico argentino radicado no Rio de Janeiro, é um dos grandes bateristas na cena do Jazz no Rio de Janeiro, está para lançar um curso de bateria online, em breve.

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