Cinema africano pode gerar mais de 20 milhões de empregos

Por: Paulinho Sacramento

Uma nova publicação recomenda estratégias para ajudar o cinema africano a aproveitar o potencial para criar mais de 20 milhões de empregos.

O setor também pode contribuir para o Produto Interno Bruto, PIB, combinado do continente com US$ 20 bilhões, segundo a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco.

Os dados constam na publicação A Industria do Cinema Africano: Tendências, Desafios e Oportunidades de Crescimento. O estudo lançado em Paris no âmbito da Semana de Cinema Africano, aponta que o potencial do setor permanece amplamente inexplorado, apesar do crescimento significativo da produção. A Nigéria, por exemplo, lança cerca de 2,5 mil de filmes por ano. 

Com equipamentos de filmes digitais acessíveis e novas plataformas online, que permitem fazer uma distribuição direta aos consumidores, nasce uma nova economia para os criadores de conteúdo, conclui o estudo. Mas África conta com apenas uma tela de cinema por 787.402 pessoas, o que torna o continente desprovido em termos de cinemas.

Outro desafio é lidar com a pirataria. Embora não haja dados precisos, o relatório estima que o problema afeta entre metade e 75% da receita das indústrias de cinema e audiovisual. Além disso, apenas 19 dos 54 países africanos oferecem apoio financeiro aos cineastas. O total corresponde a 35% das nações do continente prevendo esse tipo de estímulo. 

O estudo também identifica desafios persistentes, como a liberdade de expressão. As profissões ligadas à indústria em 47 países relataram ter sofrido limitações, o que pode afetar o trabalho criativo. Há ainda desafios na educação, na formação e na ligação à internet, afetando as indústrias cinematográficas e audiovisuais africanas.

O estudo pretende ajudar à indústria cinematográfica e aos tomadores de decisão a avaliar o cenário atual e planejar de forma estratégica o crescimento do setor.

A chefe da Unesco defende uma reflexão sobre a importância de “se fortalecer a cooperação internacional para permitir que todos os países, em particular em desenvolvimento, promovam as indústrias culturais e criativas e que sejam viáveis e competitivas tanto nacional quanto internacionalmente.”

Audrey Azoulay disse na data coincidindo com os 20 anos da Declaração da Diversidade Cultural é preciso alçar a voz. A meta é reafirmar que “filmes são de fato bens públicos requerendo apoio e investimento para garantir um acesso igual à criação, à produção, à distribuição, à disseminação e ao consumo.”

Cinema Gera Emprego

*Paulinho Sacramento é Cineasta, Artista residente do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Gestor Cultural e Diretor do Rio Mapping Festival e da Casa de Cultura Saravá Bien.

#CulturaGeraEemprego

Parafraseando: https://news.un.org/pt/story/2021/10/1765612

Foto em destaque do filme Madame Brouette do diretor senegalês Moussa Sene.

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