Dia do livro furado à bala

Por Francis Ivanovich:

Gostaria de homenagear o livro no seu dia, em 23 de abril, mas sou obrigado a defende-lo, pois li uma notícia que me deixou indignado. Nada mais me surpreende neste desgoverno quando o assunto é Cultura. Cada dia que passa, fica evidente seu ódio pelo setor cultural, seus artistas e trabalhadores.

A nova tragédia é a aprovação do projeto de um livro sobre a história das armas no Brasil, utilizando a Lei Rouanet. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o projeto deste livro foi autorizado a captar R$ 421 mil e já arrecadou R$ 336 mil de um dos maiores fabricantes de armas no mundo, que aqui me recuso a citar a marca.

De acordo com o projeto, o livro terá uma tiragem de três mil exemplares que serão distribuídos assim: 864 para bibliotecas públicas, 150 para patrocinadores e 1.680 para interessados. A proposta prevê ainda versões em ebook e audiolivro. Cada livro custará pouco mais de 140 Reais, considerando-se o custo total do projeto que é de 421 mil divididos pela tiragem de três mil exemplares.

Nossa! Que contribuição maravilhosa para a Cultura do Brasil… Realmente, é o fundo do poço.

E de pensar que em 2004, a notícia que circulava na imprensa era de que para reduzir o preço dos livros e incentivar o brasileiro a ler mais, o presidente Lula sancionou a lei que isentava editoras, livrarias e distribuidoras de livros do pagamento dos impostos PIS/Pasep e Cofins. A medida estabeleceu alíquota zero, repito ZERO, para taxas sobre todas as operações com livros no país. A contribuição variava entre 3,65% e 9,25%.

Eu não tenho mais paciência para essa gente. São trogloditas, ignorantes, e os que defendem este desgoverno não são brasileiros de verdade. São estrangeiros disfarçados de verde e amarelo. Como você pode falar em soberania sem inteligência, sem Cultura, livros?

A inteligência é desenvolvida se utilizando de livros, escola, cultura, não de armas. Essa notícia de um livro sobre armas utilizando a Lei Rouanet é um verdadeiro assassinato, um livro furado à bala, um insulto ao povo brasileiro que passa fome de comida e cultura.

Conheço professores, artistas, escritores que votaram neste desgoverno. Não é possível que essa gente não desperte para o óbvio. Este desgoverno não é brasileiro, mas um projeto de entrega da soberania nacional aos poderosos que comandam o mundo lá de fora.

Essa gente quer o povo brasileiro ajoelhado nas falsas igrejas, longe dos livros que de fato libertam. As armas que eles pregam como defensoras da liberdade, na verdade são para uma minoria, alguns privilegiados, os mesmos que comandam o Brasil desde a Colônia, uma elite branca, conservadora e escravocrata disfarçada de liberal bem intencionado.

Eles sabem que a arma mais perigosa que existe não é a que cospe balas, mas o livro que dá asas às palavras e ideias que transformam um povo. Porque um povo que lê, não assina contrato em branco; muito menos entrega seu destino nas mãos de aventureiros e oportunistas sanguessugas.

Tenho fé de que este pesadelo, esta novela de quinta categoria, estão chegando ao fim. Só tenho um pedido ao presidente Lula ao ser eleito. Faça uma revolução na educação brasileira! Inunde de comida, livros e internet a mesa de cada brasileiro pobre. Aí sim, essa gente vai ver o poder da Cultura, o canhão que ela é.

Somente o conhecimento salvará o nosso futuro.

Essa é a verdadeira arma da liberdade!

Francis Ivanovich é jornalista, escritor, cineasta e editor do podcast Show do Livro e integrante do Saravá Cultural.

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