Imprensa livre sempre

*Por Francis Ivanovich:

Hoje é o dia da Imprensa livre. Lembro que cursei Jornalismo na década de 1980, na Faculdade de Comunicação da Universidade Gama Filho, que era considerada uma das melhores na época. Daquela geração muitos colegas estão até hoje atuando na imprensa, alguns com destaque. Lembro-me que desde adolescente sonhava ser jornalista e escritor.

Como esquecer o dia que fui procurar o grande jornalista Hélio Fernandes, proprietário do Jornal Tribuna da Imprensa, que faleceu em 2021, aos 100 anos. Conheci Hélio pessoalmente na sede do Jornal, na Rua do Lavradio, Centro do Rio, para pedir emprego, mas ele me aconselhou ler bastante e cursar jornalismo, e quando eu estivesse pronto, o procurasse outra vez. Cursei jornalismo, leio até hoje, e não o procurei, a vida me levou para outros caminhos.

Tenho orgulho de ser associado efetivo da Associação Brasileira de Imprensa – ABI. Fui apresentado a ABI pelo grande crítico de arte Mário Barata, autor de diversos livros, entre eles “A escultura de origem negra no Brasil” (1957), que tive a honra de ficar amigo, e ele frequentar meu apartamento, quando eu morava no bairro da Glória.

Carrego muitas histórias relacionados ao ofício de jornalista, boas e ruins, mas sempre tive orgulho de ter essa profissão tão difícil.

Hoje é o dia liberdade de Imprensa, a data coincide com o desaparecimento do jornalista inglês Dom Phillips, do The Guardian, juntamente com o indigenista Bruno Pereira, na Amazônia. Ambos estavam sendo ameaçados por conta das denúncias que faziam sobre crimes ambientais e violências contra os índios, na região.

O fato nos entristece e só reforça a constrangedora estatística, ser o Brasil um dos 10 países que mais assassina profissionais da comunicação no mundo. De 1995 e 2018, 64 profissionais foram mortos. É perigoso ser jornalista no Brasil.

A imprensa comete muitos erros, não há como negar. Na época do teatro da Lava Jato, grande parte da imprensa embarcou na canoa furada. O resultado está aí, descrédito, desmoralização.

No entanto, eu prefiro uma imprensa que erre, a viver num país sem imprensa livre. A imprensa cumpre um papel crucial na Democracia. Sem a imprensa, estaríamos voando cegamente e sem destino. Este ano será bem difícil para os jornalistas que cobrirão as eleições. Tenho esperança de que o Brasil supere a barbárie e a Imprensa se recupere do desgaste que sofreu nos últimos anos.

Aos meus colegas de profissão desejo um dia de muita liberdade e melhores condições de trabalho. Vamos torcer para que o jornalista Dom Phillips volte bem para casa, assim como indigenista Bruno Pereira.

A Liberdade de Imprensa não pode ser punida com um crime covarde. Qualquer ato de violência contra a Imprensa é um ato de violência contra a Sociedade e a Democracia. Isso não vamos aceitar.

Imprensa Livre sempre!

*Francis Ivanovich é Jornalista e editor deste Blog.

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