Sábado chuvoso com Roy Hargrove na plataforma de streaming

Por Francis Ivanovich:

As plataformas de streaming recebem críticas de muitos artistas, como Paul McCartney, acerca dos royalties pagos pelos serviços de streamings – a Apple Music paga de royalties um (1) centavo por transmissão e a taxa do Spotify é uma fração disto, ou seja, 0,00001.

Não há como negar que ouvir música nas diversas plataformas é uma experiência realmente incrível. Eu jamais descobriria artistas geniais da música sem elas. Uma vida inteira não dá conta tantos talentos nelas hospedados. Volta e meia abro meu Spotify e lá está uma nova descoberta, um espanto, no melhor sentido.

Este texto que você está lendo nasceu de uma dessas descobertas, desse espanto maravilhoso diante da arte. Nunca havia ouvido o trompetista Roy Hargrove (foto). Faço uma busca e encontro a notícia sobre sua morte em 2018, aos 49 anos. Putz! Tão jovem!

O importante é que ele está bem vivo na plataforma, um som tão vibrante que me impulsionou escrever este texto, neste sábado chuvoso, anunciando o inverno que se aproxima. Pela janela vejo a velha amendoeira decorada com colares de pérolas d’água, gotas que assemelham-se a bolas de gude, vidros translúcidos refletindo o céu plúmbeo.

Neste exato momento ouço Roy a executar maravilhosamente “Ruby My Dear”, composta pelo genial Thelonious Monk (outra descoberta, há algum tempo), ouvida em uma de suas páginas na plataforma quase 18 milhões de vezes. Se você não ouviu, relaxe e ouça essa música fantástica no link acima ou na sua plataforma.

Ao mesmo tempo, sinto saudades de ouvir a música que escapa dos sulcos de um disco vinil. Tive vários. Além do som do vinil ser mais orgânico, por vezes temos a impressão de estar ouvindo o artista ao vivo, sempre amei as capas dos discos. A arte das capas que sempre me encantou. Como não se lembrar da icônica capa do álbum do Led Zeppelin, a fachada do velho edifício com sua janelinhas, que eu adorava brincar?

Capa do álbum do Led Zeppelin.

As plataformas de streaming revolucionaram a distribuição da música e a forma de ouvir música. Quando contraí a Covid em 2021, antes da existência das vacinas, fiquei internado no CTI de um hospital e pedi aos médicos para não me tirarem o celular, porque eu precisava ouvir música no meu Spotify. Eles permitiram e a música me aliviava, além de cobrir os sons desagradáveis do ambiente hospitalar. A música, principalmente o Jazz, foi também um santo remédio para minha salvação.

Vou parar por aqui, continuarei a ouvir Roy Hargrove, novo parceiro de alma. Não sei se existe céu, paraíso, etc., mas se existir, certamente Roy deve estar executando seu trompete divinamente para novas plateias.

Aqui na terra a plateia dele só cresce, e eu estou na primeira fila.

Obrigado, Roy! Bom sábado!

*Francis Ivanovich é jornalista, cineasta e produtor cultural.

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