Estreia nos cinemas: delator da Odebrecht revela pressão para acusar Lula

O documentário “Amigo Secreto”, que chega aos cinemas na quinta-feira (16/6), apresenta um trecho bombástico, revelado pelo jornal Folha de S. Paulo. Dirigido por Maria Augusta Ramos, que fez “O Processo”, sobre o impeachment de Dilma Rousseff, o filme aborda os bastidores da Operação Lava-Jato com denúncias contra os promotores da força-tarefa.

O material adiantado pela Folha são declarações de um dos principais delatores da Lava-Jato, o ex-executivo da Odebrecht Alexandrino Alencar. Em seu depoimento para o filme, ele conta ter sofrido pressão dos procuradores para envolver Lula em seu acordo de delação premiada.

É a primeira vez que um delator da operação faz esse tipo de afirmação de forma pública, embora supostos abusos tenham sido insinuados e abordados em decisões do STF.

Apontado como elo entre a Odebrecht e o PT, Alencar disse que o ex-presidente era “o principal alvo” dos investigadores. “Era uma pressão em cima da gente”, diz o ex-executivo no longa-metragem. “E estava nítido que a questão era com o Lula.”

Os interrogadores, segundo ele, insistiam em questões sobre “o irmão do Lula, o filho do Lula, não sei o que do Lula, as palestras do Lula”.

As declarações coincidem com reportagens publicadas na época da Lava-Jato, que diziam que o Ministério Público Federal resistia em aceitar a delação do então executivo porque ele não citava políticos em suas revelações.

Segundo Alencar, só depois de concordar em falar sobre Lula, os investigadores concordaram em assinar com ele o acordo de colaboração premiada.

Entre outras coisas, Alexandrino detalhou em seus depoimentos os gastos da empreiteira com a obra no sítio de Lula em Atibaia entre 2010 e 2011.

“Se eu falasse mais, eu estaria inventando. Estaria contando uma mentira como aconteceu com alguns [delatores] que você sabe, notórios, que mentiram para tentar escapar”, diz ele. “Eu contei a verdade. Eu cheguei no limite da minha verdade.”

O depoimento de Alexandrino teria sido fundamental para que o ex-presidente fosse condenado em 2019 a 12 anos e 11 meses de prisão, num processo que teve sua delação como principal item de acusação.

Maria Augusta Ramos

O filme de Maria Augusta Ramos, coproduzido e distribuído pela Vitrine Filmes, relata a rotina dos jornalistas Leandro Demori, do site The Intercept Brasil, e Carla Jiménez, Regiane Oliveira e Marina Rossi, do El País Brasil, na cobertura das mensagens vazadas dos integrantes da Lava-Jato. As reportagens sobre o material ficaram conhecidas como o escândalo da Vaza-Jato, em 2019.

Maria Augusta Ramos já dirigiu uma dezena de documentários, alguns deles premiados internacionalmente, como “Justiça” (2004), “Juízo” (2007) e “O Processo” (2018), para citar três que focam o Brasil pelo ponto de vista de seu ambiente jurídico elitista.

Editado do Publicado por Pipoca Moderna – MSN

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