Pole Dance de cada dia

Por Raphael Ruvenal:

Olá, começo a escrever neste espaço com um atraso, diriam os místicos que eu estava combinado com os astros; e os especialistas em procrastinação com a minha preguiça. Mas, na verdade, tenho aqui mil motivos pra defender-me. O trem que passa a hora que quer, o tempo que devora os deuses e me transforma em aperitivo e a pouca capacidade de não escrever se escondendo, seja em personagens, diálogos e cenas que me ajudam a dizer: “Nada haver, embora eu tenha escrito sobre o ridículo, relaxa não estava falando da sua cara ridícula!”.

Fato é que não estar com o SARAVÁ, seja na Prainha, Lapa ou neste seu Blog, é sem dúvidas perda de tempo. Você está adiando o inevitável! Um espaço cheio de Petistas, com um Comitê Popular que clama “Cultura Gera Emprego” e um redator de multitalentos como Francis Ivanovich é a melhor porta para abrirmos, sentar no sofá e pedir uma.

Ademais, estar aqui “nu” diante de vocês daqui pra frente com palavrões, chavões, declarações e tudo isso sem pró-labore… melhor do que isso só o meu projeto “Aceitamos currículos de Memes ambulantes”. Tudo isso porque eu gosto do ser humano, essa espécime rara que vai além do Homo Sapiens e que tá juntinho em harmonia total com a fauna e flora que nos cerca. Esse papo meio hippão, deve ser o meu Sol em Aquário (pronto já comecei a tirar o primeiro botão da camisa) ou mais uma prática pra facilitar os meus risos de nervoso, quem nunca né?

Pois depois que passamos a conviver com algumas palavras e conceitos, uma explosão de sentimentos vem nos invadindo. Além disso, se antes olhávamos para um vasto oceano que nos despertava o medo, religiosidade e histórias, hoje, de frente a uma tela virtual, a sensação parece a mesma. E se incluirmos a entrada numa Rede Social, a sua Caravela é empurrada para um mundo de sereias sem barbatanas, ciclopes míopes, tempestades e paisagens profundas.

E até no mais íntimo de um homem sexagenário que carrega a faixa presidencial, cabem nesses espaços de Rede a fascinação por Golden Shower, cu alheio e uma pergunta dita ao léu, sem aparentemente nenhum envolvimento: “O QUE EU TENHO A VER COM ISSO?” (Isso é retórica ou atestado de culpa da criança peidona de “mão amarela?”).

Afinal de contas, a morte de milhares de pessoas que viram a vacina ser bombardeada por uma contrapropaganda oficial, o atraso das compras dos antígenos devido as maracutaias e os respiradores que não chegaram a tempo em Manaus por problemas de Logística, tendo um suposto oficial militar especialista de logística a frente do Ministério, não é instagramável e, portanto, é só rolar a tela pra seguir.

Caso haja prints desse registro, fica a cargo da memória de algum smartphone que logo, logo será descartado (pra quem deixa queimar Museus, problema algum quanto a isso!) Dessa forma o que me ajuda nas “desculpas sinceras” é que estamos num momento péssimo pra escrever, pintar, cantar, dançar, compor, construir ou inventar, mas diante desse mar de afazeres, a escrita é o pior de todas essas, porque as palavras para captar devem ser econômicas e as frases cirúrgicas.

Recorro então ao peso leve da cachaça que me desavergonha e à força do corpo pra sustentar essa barra chamada Brasil, como uma dançarina de pole dance ao fundo de uma música qualquer. Quem sabe venhamos adquirir mais força nas pernas pra atravessar essa jornada e rigidez nos tríceps pro gesto do aguardado “Bella Ciao”.

*Raphael Ruvenal é historiador, roteirista, escritor, integrante do Núcleo Saravá Cultural.

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