Início

  • Lula na cova dos leões, como Daniel

    Lula na cova dos leões, como Daniel

    Por Francis Ivanovich:

    Hoje acontece o debate da TV Globo e a imagem que vem à mente é a de Lula numa espécie de cova cercado por leões. Não sou especialista em religião, mas pelo que recordo, trata-se de uma passagem do Velho Testamento, no Livro de Daniel, que desde menino me impressionou. Quem gostaria de estar numa cova cercado de leões famintos? O pintor barroco Rubens (1577-1640) criou a famosa tela acima, Daniel na cova dos leões.

    A passagem bíblica conta que no Império Aquemênida, no reinado de Dario, o Medo, um decreto do rei proibia a adoração a qualquer Deus, que somente o rei deveria ser venerado, e quem fizesse o contrário seria jogado na cova dos leões. Daniel que era amigo do rei Dario – nem sempre é bom ser amigo ou conviver com um rei – foi flagrado rezando a Deus e foi empurrado para dentro de uma cova cheia de leões com fome.

    No entanto, Daniel não é devorado pelos leões, pois, como conta a Bíblia, Deus enviou um anjo que cerrou a boca dos leões. O Rei Dario ficou tão impressionado que ordenou a liberdade de Daniel, e acabou atirando na mesma cova os assessores e políticos que o influenciaram a criar o decreto da cova dos leões.

    Que metáfora maravilhosa para o debate da TV Globo, nesta noite. Lula é Daniel cercado por leões famintos por votos e desesperados pelo futuro. Principalmente os que têm culpa no cartório ou amargarão o ostracismo da sua mediocridade política. Deus, que é povo, vai fechar a boca desses leões raivosos nesta noite, eles que partirão para cima de Lula com dentes e garras afiadas. Há leões que não suportam ver Lula que, desde 2018, mesmo preso injustamente, aparecia nas pesquisas como vitorioso num segundo turno.

    A cova dos leões desta noite será bem perigosa para Lula, tentarão de tudo para desmoralizá-lo, devorando seus votos, fazendo-o sangrar. Leões menores estarão ali, aparentemente inofensivos, prontos para abocanhar pedaços que se desprenderem das mordidas dos leões maiores. Não duvido que ao final das eleições Simone Tebet supere Ciro, estraçalhando seu minguado capital político.

    Lula está com o povo e se o ditado popular estiver correto, a voz do povo é a voz de Deus, então Lula não será sequer arranhado e, ao deixar a cova dos leões, rumará para a vitória no primeiro turno, rugindo sua inquestionável força popular.

    No entanto, companheiros e companheiras da democracia, nãos fiquemos iludidos. Esta cova, além de perigosa, é repleta de armadilhas invisíveis, de forças ocultas que podem provocar sérios ferimentos em Lula. Ele deverá estar muito bem preparado para os botes vindos de todos os lados, dentro e fora dessa cova virtual.

    Aguardemos pelo debate com serenidade, mas confiantes na justiça e na história, elas prevalecerão, e quando as urnas rugirem como o Rei Leão, do alto da montanha da liberdade, ouviremos a voz humana anunciar que o Brasil rumará outra vez na direção de um país de paz, esperança, trabalho, comida na mesa e democracia, e não uma selva de barbárie, desigualdade, medo e fome.

    As hienas irão chorar. É Lula no primeiro turno! Que Daniel nos inspire!

    *Francis Ivanovich é jornalista, autor, cineasta, produtor cultural e com orgulho filiado ao Partido dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil.

  • Economia criativa como forma de geração de renda

    Economia criativa como forma de geração de renda

    Por Marcus Gatto:

    É possível crescermos de forma mais sustentável e menos dependente de fatores externos, mas a forma para conseguirmos isso carece de algumas explicações.

    Até a década de 1950, a base da economia era a produção agrícola, principalmente das conhecidas monoculturas (café, açúcar, algodão e por aí vai). É neste período que  o Brasil começa a mudar seu estrato econômico, de um país extrativista para um industrializado ao longo dos 20 anos seguintes.

    Enquanto isso, no mesmo período, uma revolução silenciosa se iniciava em países desenvolvidos. Em 1965, surgiu o termo Economia da Cultura, criado por William Baumol e William Bowen nos EUA. Outros estudos surgiram para entender o impacto da cultura na formação dos  PIBs de vários países e sua transversalidade com outros segmentos da economia formal. 

    A economia da cultura só entrou na pauta nacional com o Programa de Desenvolvimento da Economia da Cultura (PRODEC), em 2006, mas até os dias atuais ainda não é encarado como um indicativo importante da economia. Continuamos presos a uma visão arcaica, atrasada, presa a um consumo de produtos. 

    Precisamos entender que a economia da cultura engloba  toda a produção cultural, seus fazedores e serviços ligados a ele, seus elementos simbólicos tangíveis e intangíveis.

    Em uma visão mais contemporânea, incorporou-se a este setor a economia criativa, que é o conjunto de atividades relacionadas à produção e distribuição de bens e serviços onde a matéria prima é o conhecimento, o saber, seja ele individual ou de grupos, sendo eles: a publicidade, arquitetura, editorial, rádio e TV, design, cinema, música, serviços de software e computador, jogos de computador, design de moda, artesanato, artes performáticas e mercado de artes e antiguidade.

    Segundo dados da FIRJAN do ano de 2019, a economia da cultura representou 3% do PIB nacional, cerca de R$171,50 bilhões de reais, gerando 6,6 milhões de empregos, mas os números ainda são subestimatimados. 

    Quando entendemos a cultura como mercado, investimos em uma commodity de grande valor agregado, pois trata-se de algo único, que proporciona a geração de turismo, consumo de artesanato, da gastronomia local, de saberes existentes apenas naquela localidade. Estes saberes influenciam em uma série de outros produtos, como a moda, a arquitetura, o design, a forma de se viver e consumir.

    Todos estes elementos somados são a riqueza de uma nação, que podem ser aproveitados de forma mais sustentável e com a criação de um mercado diferenciado e único. 

    Sim meus amigos, cultura gera emprego. Culture-se.

    *Marcus Gatto é produtor cultural.

  • Convite à Arte

    Convite à Arte

    por Lilian Oliveira

    CONVITE À ARTE é uma proposta de suspensão da vida cotidiana para que possamos olhar para questões que nos afetam, por meio da linguagem poética. Seja ela: artes visuais, fotografia, escultura, literatura, cinema, artes cênicas, música ou outras produções no campo das artes e sua interface política.  

    Para tanto, nessa primeira suspensão, tento traduzir, brevemente, o que venha a ser o audiovisual expandido “Salvíficos #1 – ensaio mnemônico (2022)” e já faço o convite para que você apareça na abertura dessa instalação interativa que acontecerá dia 08 de outubro às 14h, no SESC RJ Duque de Caxias.

    A instalação interativa “Salvíficos #1” usasoftware de “reconhecimento facial”, e parte da investigação da origem genética dos afrodescendentes brasileiros, permitindo, também, a participam de usuários com fenótipos variados. Com a parametrização, a obra discute o memoricídio e identidades, problematizando a ideia de representação e padronagem. 

    O artista multimídia, Eduardo Salvino, nos adianta que: “a instalação tem como base “O Arcade Game” e terá trilha sonora para cada “reino africano” e para cada programação interativa.

    Já em sua estética, haverá padrões remetendo ao “Afrofuturismo”. 

    “Salvíficos #1” traz reflexões sobre a diáspora africana e de como são adensadas ao se apropriar de outro referencial imagético, idealizado pelos artistas da “Missão artística francesa no Brasil”, de 1816. Eles registraram o cotidiano no Brasil, na época da colonização, e esse registro compunha um mostruário de características fisionômicas dos escravizados. Essas definições fenotípicas, modelos (ver: fotos de rostos contemporâneos de negros originários das regiões africanas citadas), são templates, como padrões indexados e hospedados na plataforma, sugerindo acordos e desacordos com as características dos rostos dos interatores e os seus possíveis graus de descendência”.

    Importante lembrar que a arte não se explica. A arte é uma obra aberta, que toca em cada um de uma maneira diferente ou apenas incomoda, e, ainda, pode até não nos dizer nada.

    No entanto, Salvíficos, a meu ver, diz muito sobre o sistema penal brasileiro: seja na fase investigativa que muito deve ao Estado de Direito por ter raízes inquisitórias, seja no curso da ação penal que, mesmo nessa fase (oportunizando o direito constitucional ao contraditório e a ampla defesa), também, falha, no momento da dosimetria da pena, quanto aos critérios das circunstâncias do crime (positivados no art. 59 do Código Penal) para que seja realizado o cálculo da fixação da pena. E vou além, na fase de execução penal, é manifesta a presença das questões apontadas pela obra “Salvíficos #1”, basta olhamos para os presídios e penitenciárias do Brasil: o que vemos é um “bloco”, um colorismo. O que dou nome de colometria.

    Afinal, há uma métrica no direito punitivista que vela aquilo (direitos fundamentais, isonomia, estado de direito) que aprendemos na academia. Há um gradiente de tons: pretos, marrons, moreninhos, escurinhos – é esse o template dos presídios abarrotados de uma massa escura, suja, faminta e que faz girar a commodity jurídica e o direito penal vergonhoso (lembrando o brilhante jurista Zaffaroni, em Bem-vindos ao Lawfare! Manual de passos básicos para demolir o direito penal).

    Assim, preterimos os direitos humanos e as garantias constitucionais, na cara dura mesmo. Diante de toda a comunidade internacional que ampara os direitos humanos e o Estado de Direito. Há décadas!

    Então, esse foi o modo como “Salvíficos #1” bateu em mim.

    Vai lá e comente como “Salvíficos #1” bateu em você.

    Divirta-se!

    O ARTISTA

    Eduardo Salvino é de Belo Horizonte/MG e mora em São Paulo, Brasil.

    Artista Multimídia e professor, sua pesquisa lida com audiência e contexto local. O artista, por meio de agenciamentos e propostas colaborativas, intenciona uma escuta em relação, trabalhando com: a instalação, o som e o vídeo. Salvino é doutorando em Poéticas Visuais (2019-2022), USP/SP; mestre em Comunicação e Semiótica (2011), PUC/SP e graduado em Artes (2003) pela Escola Guignard, UEMG/ MG.

    SERVIÇO

    Abertura: dia 08 de outubro às 14h

    Visitação: de 08 de outubro a 10 de dezembro de 2022

    Local:  SESC RIO Duque de Caxias

    Duque de Caxias – Rio de Janeiro

    Classificação Etária: Livre

    Para conhecer melhor a obra de Eduardo Salvino, acesse: eduardosalvino.net ou entre em contato pelo e-mail: eduardosalvino@gmail.com

  • Voto útil e mais que necessário, o Caetano tá certo

    Voto útil e mais que necessário, o Caetano tá certo

    Por Francis Ivanovich:

    A vitória de Lula no primeiro turno é como a cirurgia necessária, a que extirpa de uma vez o mal pela raiz. Para que adiar o inevitável? Para que insistir com uma terceira via tão frágil, se é que ela exista?

    Já não aguentamos mais essa figura inominável com seus seguidores que desprezam a desigualdade e a democracia. Terminemos logo com isso! Apertando o 13 de uma vez só! Dando um basta a esses quatro anos de horror e mentiras.

    Caetano em seu recente vídeo está certo. Caiu a ficha. Despertou. Lula é voto útil mais que necessário. Não há outro caminho para barrar esse equívoco histórico, essa mácula na vida brasileira.

    É inconcebível, por exemplo, que alguém de sã consciência, que preze pela liberdade, paz, seja contra o império nefasto da desigualdade, ainda persista na dúvida de eleger Lula. Não há meio termo.

    Sinceramente, que ato de grandeza teriam os demais candidatos, os que se dizem democratas, se resolvessem apoiar Lula já no primeiro turno. Mas duvido que Ciro e Simone abram mão dos votos que terão de forma residual.

    O perdedor já anunciou sua indisposição diante do resultado. Em território inglês teve a coragem de afirmar que sua vitória é certa no primeiro turno e que se isso não ocorrer, será estranho. É inacreditável isso. Parece piada, mas não é. Realmente não há condições para que essa figura continue ocupando cargo tão importante.

    Não há o que questionar, no dia 02 de outubro o número 13 simboliza a nossa libertação de um dos piores períodos da vida da maioria dos brasileiros.

    Chega! Basta! Fim!

    É 13!

    O Caetano tá certo!

    *Francis Ivanovich é jornalista, produtor cultural e cineasta.

  • Quero meu verde e amarelo de volta

    Quero meu verde e amarelo de volta

    Ou fim do sequestro de nossos símbolos nacionais

    Por Marcus Gatto:

    Infelizmente nos últimos anos assistimos a apropriação por parte da extrema direita brasileira de nossos símbolos pátrios. Isto na verdade faz parte de  um projeto maior, um projeto de divisão da sociedade entre aqueles que apoiam o governo e aqueles contrários a eles.

    Engana-se quem acha que esta ideia é privilégio deste governo. Estas técnicas foram criadas entre a primeira e segunda guerras mundiais, por dois regimes da extrema direita, principalmente o nazismo e o fascismo.

    Em ambos os casos, assistimos a formação de pensamentos nacionalistas, com a conclamação da população em defesa da nação contra aqueles contrários ao sistema imposto. Desta forma, o governo se apropria dos símbolos nacionais, criando uma divisão de “nós” contra “eles”. 

    Os símbolos nacionais passam a não mais pertencer a toda a sociedade, mas apenas a uma parcela, aqueles que são apoiadores do governo, reforçando a posição que os que divergem da ideologia e propostas criadas, devem ser considerados inimigos da Pátria. 

    A oposição passa a ser estigmatizada, sem ao menos o direito de usar os símbolos nacionais em defesa de suas causas e pontos de vista.

    Quero meu verde e amarelo de volta, quero voltar a ter orgulho de usar as cores que sempre me representaram, Não podemos e nem devemos ceder ao jogo sujo do “nós contra eles”, mas sim proclamarmos a união de toda a sociedade por meio do reconhecimento de uma unidade nacional e não de um apelo nacionalista típica da visão fascista.

    Que no dia 02 de outubro de 2022, voltemos a ter um só Brasil, uma só nação. Que a democracia vença o medo e aos ratos sobre apenas o esgoto e a escuridão, mas nunca o esquecimento, pois apenas a memória e a história podem evitar a volta de regimes autoritários. Bom voto.

    Marcus Gatto é produtor cultural.

  • Senador do PT protocola o 150º pedido de impeachment por ‘pedalada’ na cultura

    Senador do PT protocola o 150º pedido de impeachment por ‘pedalada’ na cultura

    O senador Jean Paul Prates (PT-RN) apresenta nesta sexta-feira (16) novo pedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro (PL). De acordo com o parlamentar, o mandatário, candidato à reeleição, cometeu novo crime de responsabilidade ao adiar a execução das leis Paulo Gustavo, Aldir Blanc e Perse – que preveem repasses para o setor cultural e de eventos – para liberar recursos ao orçamento secreto, o esquema paralelo bilionário barganhado pelo governo federal para conseguir o apoio do Centrão no Congresso Nacional. 

    A manobra fiscal, ainda segundo Prates, configura uma “pedalada” e viola a legislação orçamentária. O pedido de impeachment também enquadra o ministro da Economia, Paulo Guedes, por contrariar o Legislativo. 

    “O chefe do Poder Executivo violou decisões provadas e reafirmadas pelo Congresso Nacional, em flagrante desrespeito ao Parlamento e ao processo legislativo e orçamentário previsto na Constituição Federal de 1988”, detalhou o senador à coluna Painel, do jornal Folha de S. Paulo.

    A manobra consta em Medida Provisória (MPV) 1.135/2022 publicada pelo presidente no Diário Oficial da União no dia 29 de agosto. Ela permite ao governo federal adiar os repasses das leis Paulo Gustavo, Aldir Blanc 2 e Perse. No caso das duas primeiras legislações, elas chegaram a ser integralmente vetadas por Bolsonaro até que foram promulgadas, em julho, após o Congresso Nacional derrubar os vetos. O texto original estabelecia que a União deveria entregar a estados, Distrito Federal e municípios repasses de, respectivamente, R$ 3,862 bilhões e R$ 3 bilhões, respectivamente.

    Já a Lei do Perse assegurava o teto de R$ 2,5 bilhões em indenizações a serem pagas ao setor de eventos pelos prejuízos provocados pela pandemia de covid-19, que paralisou as atividades culturais do país.

    O governo Bolsonaro, no entanto, retirou o caráter impositivo das medidas, introduzindo a expressão “fica a União autorizada”. Além disso, acrescentou que a destinação do montante da lei Paulo Gustavo, que deveria ocorrer em, no máximo, 90 dias após a publicação da lei, portanto, ainda neste ano, fosse adiado para o “exercício de 2023”.

    Na última segunda-feira (12), o chefe do Executivo publicou texto apresentando o calendário de execução da Lei Aldir Blanc para início em 2024. Quando, pelo texto aprovado no Congresso, o pagamento deveria ocorrer em parcela única “no primeiro exercício subsequente ao da entrada em vigor desta lei e nos quatro anos seguintes”.

    150 pedidos de impeachment

    A “pedalada” contra o setor cultural é agora o 150º pedido de impeachment protocolado contra Bolsonaro. Ao todo, de acordo com levantamento da Agência Pública, mais de 1.550 pessoas e mais de 550 organizações já assinaram pedidos de afastamento do presidente da República.

    Até o momento, no entanto, dos 149 documentos enviados ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), apenas sete foram analisados. Todos eles arquivados ou desconsiderados pelo deputado, que é aliado de Bolsonaro. Os outros 142 ainda aguardam análise. 

    Fonte: 247 (foto Agência Câmara)

  • Cultura partida

    Cultura partida

    Por Francis Ivanovich:

    O termo “Cidade Partida” se popularizou quando o jornalista Zuenir Ventura publicou livro com o mesmo termo, em 1994. O livro de Zuenir conta como foram os 10 meses que ele viveu em Vigário Geral, que na época tinha sido palco de uma chacina que vitimou 21 pessoas e foi notícia em todo o mundo.

    Já absorvemos na corrente sanguínea esse conceito de tal maneira, que não mais nos surpreende, e assusta, infelizmente, vivermos numa cidade que é dividida e comandada por grupos armados. Em um período de 16 anos, as milícias praticamente quintuplicaram seus territórios, atualmente sendo o maior grupo criminoso do Rio de Janeiro.

    As áreas sob domínio de grupos paramilitares aumentaram 387,3% entre os anos de 2006 e 2021, revela estudo publicado pelo Mapa Histórico dos Grupos Armados do Rio de Janeiro, que também aponta que cerca de 4,4 milhões de pessoas vivem hoje em áreas controladas por grupos criminosos.

    Diante de tal quadro, parece menor e incoerente falar em Cultura. Não, não é. O não acesso à Educação e à Cultura faz muita diferença e contribui em muito para esse terrível panorama social que vive o Rio de Janeiro, cidade ainda maravilhosa, e o estado.

    Eu e muitos dos meus companheiros e companheiras que atuam e resistem hoje na Cultura, temos nossa origem justamente nessas áreas dominadas pelo crime. Eu venho da Baixada que, nos anos 70, conhecia muito a violência no seu dia-a-dia. Com pouco mais de 10 anos, levei revólver na cara e talvez não tenha sido assassinado por ser branco.

    Assim como a Cidade é partida, a Cultura também é. Desde que estreei no teatro em 1983, fui entendendo que havia uma Cultura partida, notadamente demarcada. Uma Cultura dominante praticada na Zona Sul do Rio, e uma Cultura marginal que sobrevivia nas demais regiões da Cidade e do Estado do Rio de Janeiro. Talvez o Samba seja a única manifestação cultural popular que teve forças para romper, por si mesmo, esses muros e penetrar em todas as camadas.

    Já os jovens dessas regiões marginalizadas que atuam no teatro, na música, dança, literatura, cinema, sempre vivenciaram uma invisibilidade, enquanto os jovens que atuavam nas áreas nobres do Rio tinham mais acesso e oportunidades. Devemos ao Funk muito dessa transformação, mesmo que ainda não completa. Foi ele que começou a invadir, literalmente, os apartamentos do Leblon.

    Infelizmente a Cultura Partida perpetua seu domínio até hoje. Ainda assistimos ser a Zona Sul do Rio o pretenso QG de uma suposta representatividade Cultural em nossa Cidade e Estado. Sempre foi assim, e o mais surpreendente é que a mídia e os partidos políticos continuam a acreditar que quem tem influência na Cultura são esses rincões elitistas, midiáticos, como barões da Cultura. Enganam-se.

    Essa gente não representa a Cultura, mas um pedacinho dela. No máximo têm influência em alguns segmentos mais identificados com seu meio; eles não têm toda essa capacidade de atrair votos ou fazer a mudança necessária. Na verdade estão a agir para a perpetuação dos seus privilégios históricos.

    Um possível novo Governo Lula precisa de fato ver a Cultura de uma nova forma, novo prisma social. É preciso acabar com essa injusta e antiga elitização da Cultura, como se ela fosse resumida a determinados nomes e projetos incentivados com caros bilhetes de entrada.

    A prova de que isso não está funcionando é o atual quadro dantesco que a cidade e o estado estão mergulhados. Uma juventude sem acesso à uma educação de qualidade e à Cultura, nas suas mais diversas expressões, refém da pistola e do fuzil.

    Valorizar o artista local e possibilitar que ele se desenvolva conjuntamente com a sua comunidade é fundamental para a elevação espiritual e intelectual do nosso povo.

    Chega de Cultura partida e mentiras!

    *Francis Ivanovich é produtor cultural, cineasta e jornalista.

  • Centro Afro Carioca de Cinema recebe Ednaldo Muniz que lança livro de poemas

    Centro Afro Carioca de Cinema recebe Ednaldo Muniz que lança livro de poemas

    Nesta sexta-feira (16) teremos o lançamento do livro Se7e Passos de Ameixa aqui no Centro Afrocarioca de Cinema. O livro é do baiano multidisciplinar Ednaldo Muniz que integra o Bando de Teatro Olodum, e é um compilado de 70 poemas que reúnem três décadas que abordam, de maneira simples e singular, assuntos cotidianos.

    “Se7e Passos de Ameixa é um livro dedicado às velhas senhoras griôs, anciãs, que trazem a resistência e a sabedoria na memória, marcada na pele preta enrugada, que remete à imagem de uma ameixa vetusta, sete são às irmãs de sangue, sete é o mês que nasci, sete, formam o total do meu igbá, sete é o número associado ao itan (mito) de Ogum, orixá da tecnologia, das guerras e da abertura dos caminhos.” – conta o autor.

    Esperamos vocês a partir das 18h, no dia 16/09, sexta-feira. Vem!

    Centro Afro Carioca de Cinema:
    R. Joaquim Silva, 40 – Lapa, Rio de Janeiro/RJ

  • Chocante! Tecnologia de Inteligência Artificial é acusada de roubar lugar dos humanos no mundo das artes

    Chocante! Tecnologia de Inteligência Artificial é acusada de roubar lugar dos humanos no mundo das artes

    Publicado por Paulinho Sacramento – Redação 360

    Inteligência Artificial

    Recentemente, pesquisadores europeus realizaram um experimento com centenas de participantes. Grupos de pessoas foram apresentadas a diferentes obras de arte; e lhes foi contado que algumas das peças eram criação humana e outras de sistema de Inteligência Artificial (IA). Sabe qual foi a reação? A maioria elogiou apenas as obras criadas por humanos. Mas será que as respostas seriam desse jeito se fossem omitidos detalhes sobre os verdadeiros autores das artes? Pode ser que não!

    O nosso inconsciente manipula demais esse julgamento. Como sabemos, querendo ou não, olhamos para as obras de arte sempre com certa subjetividade. Na falta de entendimento sobre a capacidade e limitações da IA, as pessoas podem expressar ideias e emoções equivocadas. E você, concorda que as máquinas não são capazes de realizar obras tão criativas quanto os humanos? Que valor você daria, por exemplo, para um quadro cuja figura foi elaborada por um computador? Bem, vamos aos valores!

    Conceitos e pré-conceitos | Como avaliar a arte fruto da IA?

    Algumas pessoas simplesmente não conseguem sentir qualquer empatia pelas máquinas. Não dá para culpar, claro, pois frequentemente ouvimos que nossos empregos estão ameaçados pelas novas tecnologias. E nem suspeitávamos que isso pudesse acontecer tão cedo num campo tão humano, como é a arte. Contudo, nos últimos anos, estamos vendo a apresentação de várias obras “autorais”, desde músicas a esculturas, feitas em IA. Então, como avaliar isso?

    De fato, é muito difícil fazer comparações com a nossa capacidade e a de um software. Bem, uma coisa é certa: máquinas talvez sejam incapazes de analisar e até de elaborar novos estilos artísticos.

    Referências de valores

    Sabia que já existe um bom mercado para venda de obras de artes feitas através da Inteligência Artificial? Por exemplo, em 2018, a obra intitulada “Retrato de Edmond de Belamy”, do criativo francês Obvious, com base nas pesquisas de Robbie Barrat, foi vendida em uma casa de leilão por um valor aproximado de US$ 400 mil. Porém, isso não é nada comum. A saber, outras obras suas – pendendo para uma linha mais surrealista – foram vendidas poucos meses antes por apenas R$ 80 mil. Mas veja como as coisas mudam, pois, hoje, as mesmas valem R$ 50 milhões.

    Mais recentemente ainda, foi realizada uma competição de belas-artes na Feira Estadual do Colorado, nos Estados Unidos. E o vencedor foi o designer Jason Allen, que criou a sua peça, que era uma fotografia manipulada dentro dos preceitos clássicos, renascentistas e barrocas, e intitulada Théâtre D’opéra Spatial, com auxílio das tecnologias digitais.

    O problema é que Jason usou o programa Midjourney, que já foi projetado para gerar fotos e desenhos realistas através de um texto descritivo. Houve esforço por parte do autor somente em testar diferentes expressões ou frases para a IA interpretar e, assim, obter o resultado desejado. Foi preciso, então, uma intenção de participação humana para a criação. A proposta de alguns especialistas é, quando possível, unir os dois tipos de arte. Sendo que a arte criada por pessoas deve seguir para um determinado nicho específico e a criada por robôs, por exemplo, para outro. Inclusive, alguns deles afirmam que esta é uma boa oportunidade de mudarmos nossos pensamentos, encarando as ferramentas computacionais como se fossem um pincel na mão de um pintor. Ou seja, sem a pessoa, não há força!

    Mas será que isso basta?

    Link: https://engenharia360.com/quadro-polemica-arte-feita-em-ia/

    Imagem em destaque: https://www.icmc.usp.br/

  • PT cobra devolução de MP que adia repasses para a cultura

    PT cobra devolução de MP que adia repasses para a cultura

    Pedido foi feito pelo senador Paulo Rocha, autor da Lei Paulo Gustavo. Parlamentar afirma que medida “desvaloriza o Parlamento brasileiro”

    Publicado por Paulinho Sacramento (pt.org.br – PT no Senado)

    Pode ser devolvida a Medida Provisória (MP) 1135/2022, que adia o início do cumprimento das leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc 2, ambas para a cultura. A ação foi defendida nesta segunda-feira (29) pelo líder do PT no Senado, Paulo Rocha (PA).

    Os textos originais preveem que os repasses comecem este ano, no caso da Lei Paulo Gustavo, e em 2023 (Aldir Blanc 2). Pela medida provisória, as legislações só entram em vigor em 2023 e 2024, respectivamente. A MP também reduz o valor aprovado pelo Congresso Nacional para o setor e ainda retira a obrigatoriedade de a União transferir o dinheiro para estados e municípios.

    Segundo Paulo Rocha, as leis garantiriam a execução dos recursos do Fundo Nacional de Cultura e do Fundo Nacional do Audiovisual nos próximos anos.

    “Pedimos uma checagem da Mesa sobre essa medida, além de uma análise dos nossos consultores sobre a constitucionalidade, urgência e relevância da medida provisória. Se for comprovado que a proposta do governo fere esses princípios, queremos a devolução imediata da medida provisória. Além de desvalorizar o Parlamento brasileiro, [a MP] tira o seu papel constitucional de uma forma abrupta”, afirmou o líder petista.

    Na noite de ontem, Rodrigo Pacheco afirmou, em nota, que irá fazer uma análise a respeito da medida provisória com a Advocacia do Senado. O presidente da Casa tem prerrogativa de devolver o texto ao Planalto se tiver parecer sobre o não cabimento das justificativas do governo.

    Em julho, em uma derrota para Jair Bolsonaro, o Congresso Nacional derrubou os vetos presidenciais às duas leis que preveem ajuda financeira ao setor cultural. A MP de Bolsonaro foi publicada na edição desta segunda do “Diário Oficial da União” (DOU).

    As medidas provisórias têm força de lei assim que publicadas no “Diário Oficial da União”. Precisam, contudo, ser aprovadas pelo Congresso Nacional, que pode alterar o conteúdo da MP, para se tornarem leis em definitivo.

    Leis para a cultura

    O texto da Lei Paulo Gustavo determina a transferência de R$ 3,8 bilhões a estados e municípios, para serem utilizados na mitigação dos efeitos da pandemia de Covid-19 no setor cultural. Os repasses deveriam ocorrer “no máximo” em 90 dias após a publicação da lei, prazo que se encerraria no início de outubro.

    A medida do governo federal revoga o trecho da lei que determina esse prazo e prevê que o pagamento só ocorrerá em 2023, sem especificar em qual mês serão feitos os pagamentos e acrescenta que o pagamento deverá observar “a disponibilidade orçamentária e financeira”. A execução dos recursos poderá ser prorrogada para o ano seguinte, caso não sejam integralmente executados em 2023.

    Já a Lei Aldir Blanc 2 prevê um repasse anual de R$ 3 bilhões aos governos estaduais e municipais, durante cinco anos, para o financiamento de iniciativas culturais. Pelo texto da lei aprovado, os repasses começariam no ano que vem, mas a MP adia esse prazo para 2024.

    link: https://pt.org.br/pt-cobra-devolucao-de-mp-que-adia-repasses-para-a-cultura/