Início

  • O comandante das Formas Armadas chama-se Lula

    O comandante das Formas Armadas chama-se Lula

    Por Dema:

    Militar não precisa gostar do Lula, nem do PT ou qualquer outro partido de esquerda, não, militar tem que ter amor pela pátria e por ela morrer se for necessário.

    Mas, o estamos assistindo são atos de insubordinação de funcionários públicos, sim, funcionários públicos da área da segurança nacional, que tem o seu papel muito claro e definido na Constituição da República, aprovada pelo Congresso Nacional Constituinte de 1988.

    Os militares, em particular o Exército não tem a obrigação de gostar da Carta Magna, mas tem o dever de defendê-la. Assim como os mais de duzentos milhões de brasileiros, os militares também estão submetidos a todos os preceitos constitucionais, sem exceção!

    O Presidente Lula tem realizado gestos com a firmeza e precisão de um cirurgião Cardiovascular que sabe não poder erra. Foi assim no caso do fálico dia oito de janeiro quando terroristas com o apoio do governo do Distrito Federal, do comando das Forças armadas, mais empresário, ruralistas e outros destruíram as sedes dos poderes da República. Neste caso Lula indicou um interventor na Segurança pública de Brasília.

    Assistimos agora mais um ato cirúrgico e preciso, cumprindo o seu papel de Comandante Chefe das Forças Armadas afastou o General Júlio César de Arruda do comando do Exército, empossando em ato contínuo com publicação em edição extraordinária no Diário da União o novo comandanter.


    Assumirá o General Tomás Miguel Ribeiro Paiva, com isso, inicia-se uma virada de página onde os generais Helenos golpistas que toleravam acampamentos de terroristas em frente ao QG do Exército.

    O que esperamos, que as forças armadas, em particular o Exército compram o seu papel constitucional, defender as nossas fronteiras, o nosso céu e os nossos mares.
    Da politica, da economia, da saúde, da educação, do País cuidam a política e a sociedade.


    Dema é Secretário de Organização do PT-Carioca.

  • Lula e as crianças Yanomamis

    Lula e as crianças Yanomamis

    Por Francis Ivanovich (Foto: Victor Moriyama)

    O presidente Lula foi à Boa Vista, capital de Roraima, neste 21 de janeiro de 2023, para combater um absurdo. Crianças Yanomamis desnutridas, com seus pequenos corpos exibindo as marcas da fome, do abandono, retrato fiel de um país que viveu nos últimos quatro anos um dos mais tenebrosos períodos da história.

    Somente néscios e má intencionados não são capazes de enxergar o óbvio, o Brasil estava mergulhado num projeto que privilegiava poucos em detrimento do povo.

    Não é por acaso que as investigações sobre os ataques a sede dos Três Poderes, em Brasília, apontam para financiadores que de patriotas não tem nada, essa gente só queria ficar por cima da carne seca, tornando o povo trabalhador seu serviçal, sem direitos e calados.

    A foto de crianças yanomamis esqueléticas é um verdadeiro atentado contra dignidade dos povos originários e de todo o povo brasileiro seja no campo ou na cidade.

    Somente um presidente sensível teria a capacidade de se deslocar para ver de perto essa quadro kafkaniano ultrajante.

    O próprio presidente escreveu em suas redes:

    “Recebemos informações sobre a absurda situação de desnutrição de crianças Yanomami em Roraima. Viajarei ao estado para oferecer o suporte do governo federal e, junto com nossos ministros, atuaremos pela garantia da vida de crianças Yanomami”.

    Acompanharam o presidente Lula, os ministros da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, da Defesa, José Múcio, do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, da Saúde, Nísia Trindade, dos Direitos Humanos e Cidadania, Silvio Almeida, da Secretaria-Geral, Márcio Macedo, dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, e do Gabinete de Segurança Institucional, General Gonçalves Dias.

    Quero ver Sua Excelência “O Mercado” berrar contra a foto dessas crianças vítimas do garimpo ilegal incentivado pelo desgoverno Bolsonaro, que só comprova que ele está se lixando para a vida das pessoas.

    O que importa para o Senhor Mercado é o lucro rápido dos seus investidores famintos por dividendos. Não ouvi o Senhor Mercado comentar o atual caso das Lojas Americanas no seu mundo perfeito que agora ameaça a vida de milhares de trabalhadores que podem perder seu emprego.

    Aos que torcem o nariz para o Governo Lula, que pregam o golpe explicitamente ou na calada, deveriam olhar bem para a fotografia das crianças esquálidas e se envergonhar.

    Lula foi bem claro durante o período eleitoral, este governo tem compromisso social com o povo brasileiro. Quem não estiver satisfeito que arrume as malas e vá para a Flórida.

    A situação das crianças Yanomamis é um dolorosa vergonha para quem verdadeiramente ama o Brasil e respeita a Democracia.

    Francis Ivanovich é jornalista e cineasta.

  • MinC anuncia a liberação de R$ 1 bilhão bloqueado na Lei Rouanet

    MinC anuncia a liberação de R$ 1 bilhão bloqueado na Lei Rouanet

    O Ministério da Cultura anunciou nesta quarta-feira (18) a liberação de R$ 1 bilhão em recursos da Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet) que estavam bloqueados, até o final de janeiro. Segundo a ministra Margareth Menezes, foram identificados mais de 1,8 mil projetos que estavam nesta situação e cujos produtores poderão, finalmente, ter acesso aos recursos dos patrocínios.

    Em um post nos perfis do MinC nas redes sociais, a ministra confirmou a liberação do montante: “Em apenas 20 dias de trabalho, o Ministério da Cultura identificou 1,8 mil projetos que já tinham sido captados e liberados, mas que estavam bloqueados pela administração passada. Isso significa um montante de R$ 1 bilhão que estamos liberando até dia 30 de janeiro. E também conseguimos a prorrogação para mais cinco mil projetos para captação”.

  • A Cultura começa a respirar

    A Cultura começa a respirar

    Por Francis Ivanovich:

    No Centro de Tratamento Intensivo estava a Cultura. Agonizando, entubada, vítima do vírus da ignorância, do autoritarismo nefasto, um vírus personificado na figura de um ex-presidente sem a mínima condição de ocupar o cargo que jamais exerceu em favor do povo brasileiro.

    O anúncio foi feito pela ministra da Cultura, Margareth Menezes, durante a cerimônia de posse de Tarciana Medeiros, nova presidente do BB, primeira mulher a ocupar a presidência do banco.

    Pessoas jurídicas (CNPJ) e pessoas físicas (CPF) podem apresentar propostas de projetos em artes cênicas, cinema, exposição, ideias, música e programas educativos. O Banco do Brasil destinará aproximadamente R$ 150 milhões para realização dos projetos. O valor será dividido em até R$ 50 milhões a cada 12 meses de vigência do edital. A disponibilidade orçamentária para os patrocínios será definida pelo Banco em negociação com cada proponente selecionado, considerando as contrapartidas oferecidas.

    A Cultura foi uma das maiores vítimas do desgoverno passado, que ainda articula seus tentáculos e venenos contra a República. A Cultura foi perseguida, censurada, discriminada, impedida de acesso aos recursos, como foi o caso da Lei Paulo Gustavo e Aldir Blanc.

    Produtores culturais, artistas, técnicos, trabalhadores da Cultura começam a ver luz no fim do túnel. O Edital do BB é excelente notícia.

    As inscrições ficam abertas até 3 de março e são gratuitas. Podem ser realizadas pelo site.

    Os resultados devem ser divulgados em junho de 2023.

    Baixe o Edital:

  • “Romeu e Julieta” de Shakespeare, na Casa de Cultura Laura Alvim

    “Romeu e Julieta” de  Shakespeare, na Casa de Cultura Laura Alvim

    Em tempos de ódios, nada melhor do que ir assistir a mais famosa peça de William Shakespeare, “ROMEU e JULIETA”, com direção de Mariozinho Telles, idealizador do Projeto Clássicos do Teatro, atualmente, sob a supervisão de Maria Rita Rezende – companheira de vida e de palco, será apresentada Dia 24 de janeiro de 2023, terça-feira, às 20h, na Casa de Cultura Laura Alvim, Av. Vieira Souto,176, Ipanema.

    O espetáculo é realizado pelo grupo Teatro de Roda cujo elenco é formado por ROBERTA MANCUSO, KARINA DINIZ, LENILSON DE MELLO, LUCIA FARIAS, CAROLINA BENTO, MARCELO NORBERTO E MARIA RITA REZENDE.

    Serviço

    🎭Local: Casa de Cultura Laura Alvim*, Av. Vieira Souto,176, Ipanema.

    Dia 24 de janeiro 2023, às 20h

    Ingresso 60,

    Meia 30,

    ROMEU E JULIETA, de William Shakespeare.

    Tradução: Onestaldo de Pennafort.

    Direção: Mariozinho Telles

    Supervisão atual: Maria Rita Rezende

    Assistente de supervisão: Karina Diniz

    Arte: Marcio Guth

    Classificação: 10 anos

    🏷️ http://www.teatroderoda.org

    @teatroderoda

      (21) 99649-7326

  • Acabou a brincadeira

    Acabou a brincadeira

    Por Francis Ivanovich:

    Nos dias em que passei no isolamento por causa do vírus da Covid, acompanhei com atenção os acontecimentos que sacudiram o Brasil, quando no dia 8 de janeiro de 2023 o caldo entornou, a gota d’água, os limites foram ultrapassados. A vida não perdoa. Você brinca com ela, fala o quer, faz o que quer, acha que está tudo certo e aí a realidade cai sobre a sua cabeça, pesada, dura, e quando você desperta, é tarde demais.

    Foi o que aconteceu com centenas de pessoas que viviam fora da realidade. Acreditaram em tantas mentiras que transformaram suas vidas numa farsa ainda maior. Um das mais perigosas situações na vida é quando a gente perde a noção de realidade, cria fantasias, acredita no que não é real e entrega a própria sorte ao desconhecido. Geralmente isso caba mal.

    Neste momento, agora, quando você está lendo este texto, muitas dessas pessoas estão atrás das grades, tocando com a mão a frieza e a dureza das grades, implicadas em crimes muito graves, vendo suas vidas serem arruinadas para sempre. Essa gente experimenta a mais dura lição que se pode ter da vida, ela não é para amadores. A vida não perdoa.

    Muitas dessas pessoas foram levadas a esse estado de caos, a esse inferno pessoal, foram manipuladas, enganadas, e agora estão sozinhas, porque nenhum dos artífices intelectuais do golpe pretendido, maquinado, não as ajudarão, sequer vão aparecer para socorre-las. O diabo se travestiu de anjo.

    É triste ver brasileiros nesse estado, há muito de insanidade, ingenuidade, desamparo nessa gente. Muitos deles são desempregados, pessoas infelizes que viviam suas vidas medíocres e que foram seduzidas por um sonho de grandeza disfarçado de patriotismo. Há muita grana por traz dessa trama. Há muita doença no meio dessa gente. Agora terão de se ver com a Justiça e muitos ficarão trancados por um bom tempo. Vidas perdidas.

    O presidente Lula tem mão firme. Revelou-se um estadista de coragem e firmeza inquestionável, enfrentou a situação com energia e tomou decisões acertadas, como a intervenção na segurança pública de Brasília; o ministro Alexandre corajoso com sempre, afastou o governador do DF e decretou a prisão do ex-ministro da Justiça Anderson Torres.

    Os golpistas sentiram o golpe.

    Não imaginavam que Lula iria suportar tal pressão. Lula não é qualquer um. É um líder de verdade, que teve a coragem de enfrentar a prisão e jamais fugiu do bom e legal combate. Lula não está sozinho, mais de 60 milhões de brasileiros estão com ele, vale lembrar!

    O Brasil tem Presidente eleito! O Brasil tem Justiça! O Brasil tem Democracia!

    A mão firme de Lula e Alexandre vão pesar. A República voltará a respirar ares puros de respeito às instituições e a vontade popular. A cadeia aguarda pelos golpistas.

    Acabou a brincadeira.

    Francis Ivanovich é Jornalista e cineasta.

  • Convite à arte MINE_IRA

    Convite à arte MINE_IRA

    Por Lílian Oliveira:

    Com o título homônimo da obra “MINE_IRA” desenvolvida pela artista plástica e fotógrafa, Jennifer Cabral, radicada em Nova York, hoje, refletimos sobre um crime que somos, a um só tempo, testemunhas e cumplices. Não se trata de um crime paroquial (que revela aquelas mazelas e tragédias familiares ou brigas de vizinhos que abarrotam as varas de famílias e os JECRIMs da nossa republiqueta e alimentam o mercado jurídico sem limites). Trata-se de um crime ambiental que, infelizmente, tornou-se recorrente graças a omissão do Estado-estado. E, novamente: não são aqueles crimes que jorram sangue dos jornalecos (aqueles jornais que espetacularizam e banalizam o mal/o lado sombrio do humano) e vendem como água, nos semáforos dos grandes centros urbanos, e nos acompanham, involuntariamente, no enfretamento da nossa “corrida do ouro” de cada dia.

    Isso: todo dia, todo dia!

    MINE_IRA é uma obra na qual, por meio da fotografia, a artista nos presenteia com uma denúncia poética: a violação do meio ambiente. Um direito humano fundamental  que deveria ser protegido, equilibrado ecologicamente, preservado e sustentável por todos, principalmente, pelo poder público e suas instituições democráticas.

    Essa denúncia poética: MINE_IRA de forma real e, também, metafórica da violação da Serra do Curral, nos convida a reflexões múltiplas, dentre elas uma das mais abjetas condutas da sociedade contemporânea e que vem escalonando: a violação do território da mulher (seu corpo e seus direitos – esses tão duramente conquistados).

    Recordo o leitor que, somente, com o Código Civil de 2002 a mulher deixou de ser propriedade (seja do pai, ou do marido) e adquiriu autonomia.

    – Inacreditável!

    De certa forma, muitas de nós (mulheres) “suportamos” ainda hoje o retorno a condição de coisa. As estatísticas oficiais nos colocam frente a esse real: o aumento de casos de feminicídios durante a crise sanitária mundial de 2020/2021 deixou claro que a cultura em nosso país ainda é de objetificação/posse da mulher.

    Lamentavelmente, poucas de nós consegue de fato usufruir da conquista de direitos de uma luta de gerações: o direito de ser sujeito de vontades e o direito ao sufrágio (esse último chegou com o Código Eleitoral de 1932 e depois como direito constitucional em 1934 – só pra citar alguns dos mais importantes direitos conquistados pelas mulheres, especialmente as brasileiras, muito embora as questões apontadas na obra MINE_IRA seja de foro universal). E olha! Já estamos no século XXI. Reflitamos e avancemos!

    Então vamos à conversação com Jennifer Cabral, artista visual e fotógrafa, autora da obra MINE_IRA sobre seu processo criativo e como se deu sua construção estética. Na sequência, voltamos com uma pequena reflexão sobre a omissão do Estado e da instituição jurídica quanto a proteção que hoje é deficitária de alguns direitos humanos violados e denunciados na obra MINE_IRA.

    Jennifer,

    Em um primeiro momento, peço que você se apresente. Nos diga de onde você é (onde você nasceu), como se deu o seu primeiro contato com as artes plásticas/visuais e com a fotografia.

    Eu nasci em São Paulo, mas cresci em Belo Horizonte. Entrei na Escola Guignard, em 1993, quando ainda era localizada no porão do Palácio das Artes. Me lembro de ouvir ao fundo os ensaios da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais entre uma aula de ateliê e outra; só tínhamos que dar alguns passos para as aulas de desenho de paisagem no parque municipal.

    Em 1994, entrei também para a Escola de Comunicação na PUC-Minas. Com a mudança da sede da Guignard para o Mangabeiras eu ia de um campus para o outro na mesma linha de ônibus. O 4001 saía do campus no Coração Eucarístico e tinha o ponto final ao pé do morro que subia até a Guignard. Fizemos muito panelaço para protestar e conseguir que o ônibus subisse até a porta da escola.

    A impressão era o que mais me interessava na Guignard: Xilogravura, Litografia… e na PUC me dediquei a Design Gráfico sob a orientação da Glória Gomide. Mas peguei emprestada uma câmera fotográfica no laboratório do prédio 13 da PUC que me deixou intrigada e curiosa por esta técnica. Participei de um workshop básico de fotografia oferecido pela prefeitura de Belo Horizonte com a fotógrafa Patrícia Azevedo. E, entre as aulas de fotografia com o Eugênio Sávio e o Guto Muniz na PUC, e as aulas do Tibério França na Guignard, a vontade de me dedicar à fotografia foi se solidificando. Me formei em 1998 em Publicidade e Propaganda na PUC e finalizei meu Bacharelado em Artes Plásticas com especialização em Fotografia em 2000 pela UEMG.

    Em 2001, depois de trabalhar como assistente de Design Gráfico por mais de quatro anos em Beagá, decidi ir para Nova Iorque inspirada pela amizade que fiz com o fotógrafo Gustavo Marx, que tinha acabado de chegar a Belo Horizonte depois de uma temporada em Manhattan. Eu trabalhava em laboratórios e estúdios fotográficos em Nova Jersey durante o dia, e fazia matérias isoladas na School of Visual Arts em Nova Iorque à noite. Foi uma fase em que tentava acumular técnica e também comprar algum equipamento. Mas aos poucos comecei a fotografar para jornais locais e apareceu uma demanda pela minha técnica em laboratório preto e branco. Achava que seria um relocamento temporário, mas acabei me enraizando por aqui. Beagá ficou longe; Nova Jersey virou casa, e a fotografia, minha profissão.

    Jamais pensei que eu deixaria Belo Horizonte, mas minha família já tinha uma história de dupla cidadania traçada. Não me chamo Jennifer, por acaso. Em 1926, meu avô deixou Pernambuco para estudar engenharia elétrica em NY. Mesmo quando estabeleceu família no Rio de Janeiro, meu avô ainda carregava o sonho de um dia voltar para os Estados Unidos. Em 1946, resolveu embarcar por 40 dias em um navio, com a minha avó grávida e minha mãe menina, e mudar definitivamente para NY. Mal sabia ele, que depois dele falecer, minha mãe se casaria com um belo-horizontino  que estava estudando engenharia em NY. Meus pais se casaram e logo depois mudaram de volta para o Brasil onde eu  vivi até os meus 27 anos.

    Hoje, você tem um Stúdio/ateliê? Trabalha com outras pessoas? Faz parte de algum coletivo?                  

    Meu espaço criativo, tanto físico, quanto mental, é íntimo e pessoal. Preciso do isolamento para criar. Meu ateliê é minha casa.Tantas vezes dou cria no meu próprio quarto. Tudo espalhado pela cama e chão. Divido casa e vida com outro fotógrafo, o que facilita não ter que explicar ou justificar o tempo e espaço que preciso para criar. Eugene Pierce e eu aprendemos a dar espaço um para o outro, mas colaborar quando é necessário para complementar um projeto – eu contribuindo com a fotografia mais documental, e ele com a experiência de retratar em estúdio.

    Minhas colaborações e interações com outros artistas ocorrem primordialmente durante mostras coletivas. As duas mais recentes foram em Trenton, uma cidade com imensa desigualdade social e econômica, mas de uma diversidade e comunidade artística intensa.

    Participei da concepção e execução de uma exposição chamada “RESILIÊNCIA SUTURADA” em

    que eu, e as artistas Chanika Svetivlas e Kat Cope exploramos trauma, memória e empoderamento criando um espaço que revelava a força em nossas vulnerabilidade coletiva. A mostra levou seis meses para concepção e ficou aberta por um mês com exibições de texto, fotografia, escultura, desenho, mídia mista, vídeo e ações participativas incluindo workshops.

    Outra exposição na cidade de Trenton que foi muito gratificante ocorreu em Março de 2022 intitulada: “UMA ESTRADA PARA CASA: MIGRAÇÃO, DESLOCAMENTO E REDEFINIÇÃO DE ONDE VIVEMOS. Foi uma conversa visual entre artistas que vivenciaram diferentes formas de deslocamento de identidade, seja física, social ou emocional. Expus ao lado de outros 8 fotógrafos cujos trabalhos exploraram o tema da imigração. Representamos várias regiões do mundo como China, Líbano, Palestina, Armȇnia, Colômbia e Honduras.

     Onde foi sua formação (base) estética/intelectual? Quais são as suas referências estéticas?

    O ensaio documental foi a minha primeira busca na fotografia. Por mais liberdade que a manipulação no laboratório permita, e agora o digital, eu prefiro a pureza da composição como foi registrada originalmente, imprimindo até mesmo a moldura negra do negativo na cópia final. A fotografia documental com a de Walker Evans, Dorothea Lange e Eugene Smith eram referências constantes nos meus primeiros anos fotografando.

    Minhas explorações na fotografia são ancoradas na documentação e na impressão, mas acredito que a incorporação de palavras e significados é o que mais distingue meu processo criativo atual. Até que um título seja criado, uma obra não nasce. Uma vez nomeados, minhas concepções artísticas podem então se manifestar. Incorporo adjetivos, substantivos e verbos em minha fotografia em busca de compreensão de sentimentos e experiências. O texto e a palavra permeiam meu trabalho tanto quanto a fotografia em si. Títulos e tipografia tȇm tanto peso visual quanto a imagem.

    O encontro do analógico com o digital também se manifesta com frequência no meu trabalho. Revisitar arquivos pessoais ou institucionais tem sido uma fonte de conteúdo recente. Preservação e arquivos são temas que venho explorando em decorrência da minha pós-graduação em Ciência da Informação no Departamento de Comunicação Social da Rutgers University que completei em maio deste ano.

    Seja por nostalgia ou mero hábito, exploro a inversão do negativo para o positivo em meu trabalho sem diferenciação. Christian Boltanski, Duane Michals, Mira Schendel e Rosângela Rennó são parte do meu vocabulário conceitual, enquanto a obra de Lucian Freud, Cy Twombly e Joseph Beuys sustentam um desejo estético se eu fosse um dia além da mídia fotográfica. Algumas das fotógrafas que me surpreendem pela produção prolífica e consistente são: Sally Mann e Graciela Iturbide – visito o trabalho delas frequentemente como referência. Mas não há como negar que a minha formação estética foi sufocada e limitada pelo eurocentrismo e cultura norte-unidense em que me saturei. A falta de referências afro-latinas no meu vocabulário estético é uma lacuna que me permeia. Queria ter sido exposta a artistas como a cubana Ana Mendieta, Rosana Paulino e Walter Firmo desde o início da minha prática artística.

    O que te moveu para produzir o MINE_IRA?

    Os desastres ambientais que vem ocorrendo em Minas Gerais em decorrência da irresponsabilidade de mineradoras, do desleixo governamental e da complacência social foi o que me motivou a criar este trabalho.  Surgiu diretamente da minha incapacidade de fotografar e documentar os eventos que aconteceram em Brumadinho em Janeiro de 2019. Mesmo fora do país, não podia não reagir à destruição do ecossistema do Rio Paraopeba pela indústria minerária, assim como já havia acontecido com o Rio Doce.

    Brumadinho marcou o início de um processo de auto-questionamento para mim. Eu me declaro uma “mineira” – vinda de Minas Gerais. Eu me apresento a todos como tal. Eu tenho prova fotográfica de todos os estereótipos de que participei exercendo tal papel. Mas esta visão romȃntica da minha infȃncia; essa idealização das minhas origens enraizada na cultura tradicional mineira passou a ter apenas um significado para mim: que eu fui testemunha e cúmplice de múltiplos crimes ambientais.

    Como foi seu processo de criação do MINE_IRA?

    Para criar MINE_IRA, recorri as únicas imagens que tinha ao meu dispor: minhas fotos de criança e minhas memórias da Serra do Curral Del Rey. Não há melhor simbolismo para o poder de destruição da indústria minerária do que a “Serra do Curral Del Rey” – da montanha que congrega e gentilmente abraça os residentes de Belo Horizonte resta somente uma casca em decorrência da exploração indiscriminada de minério de ferro.

    Sobre as minhas fotografias de menina eu tracei a montanha que existia em minhas memórias, como me lembrava da serra com meu olhar de criança. A montanha estava aos meus pés quando posicionada à minha frente; acima da minha cabeça quando se encontrava às minhas costas, e às vezes ao meu lado, e tão próxima, que acreditava poder tocá-la. Eu literalmente fui no google maps e fiz um “street view” do pé da serra da onde recortei o traçado da montanha e apliquei sobre cada um dos negativos.

    Mas eu queria falar não só da montanha, mas também da mina existente nela. Foi quando eu comecei a brincar com significados bilíngues. A palavra “mine” – quando traduzida do inglês para português torna-se o pronome “meu/minha”, e ao mesmo tempo, o substantivo “mina”. Quando indiquei a localização aproximada da mina na montanha que havia traçado nas fotografias e escrevi a palavra “mine”, eu não esperava que cairia exatamente sobre o meu corpo de criança.

    Naquele instante eu me dei conta de que estava abordando um tema muito mais amplo e íntimo do que pretendia. Foi um choque até para mim mesma.

    Vejo que MINE_IRA possui várias camadas: a violação da montanha (Serra do Curral Del Rey) pela mineradora e sua obra MINE_IRA como revelação/denúncia, por meio da fotografia e do resgate da memória desse crime contra o meio ambiente; a violação da montanha, também, como metáfora da devastação do corpo da criança/do feminino; a escolha do nome dessa sua produção MINE_IRA como TIPOGRAFIA e alerta quanto ao uso da linguagem e da palavra e como isso impacta no nosso comportamento. Como foi seu percurso nessa construção estética e como essas camadas se conectam?

    Entre a palavra escrita sobre o meu corpo e o traçado da serra eu gerei um processo de revelação – de negativo para positivo. Os segredos ocultos da montanha e aqueles em meu próprio corpo foram aos poucos sendo revelados – ambas estávamos sendo continuamente corrompidas e roubadas. Nós duas fomos repetidamente abusadas.

    A montanha estava sendo escavada pelo substantivo “mina/mine” e minha inocência transformada por um pronome – “Você é minha”, disse um adulto para uma criança em cada um de seus atos. Pouco a pouco ambas – montanha e eu – sofremos devastação e perda enquanto mantivemos nossas fachadas intactas. Ao rotular o corpo-montanha e o corpo-criança com a palavra “mina/minha/meu” tais fatos não mais podiam ser negados.

    Eu passei a escrever a palavra “Mine_ira” de uma única maneira – com um hífen. Não como uma mera forma de apontar dedos cheios de ira contra a mina e os homens por trás dela, mas direcionados para meu próprio silêncio e minha inércia. Enquanto a montanha olhava por mim, eu olhava a montanha (e a outra montanha, e mais uma, e mais outra) sendo infringida, violada e traída. Ao rejeitar o meu papel de vítima e admitir minha participação como espectadora de um crime, eu posso então deslanchar a minha ira e clamar por mais que atrasada e merecida criminalização da indústria mineradora. Vocês são criminosos. Todos nós somos.

    Sem tirar o foco do olhar sobre a potência dessa denúncia poética que a obra MINE-IRA da artista Jeniffer Cabral nos presenteia, retorno para nossa reflexão e digo: pensar sobre tudo isso e todas as outras violações que MINE_IRA nos revela, nos faz enxergar que a violação da Serra do Curral (do meio ambiente), na verdade, tem raízes profundas: está na palavra/no conceito da palavra e no cuidado ou na falta de cuidado que temos ao utilizá-las. Como Schopenhauer nos ensina: “Quando se aprende uma língua, a dificuldade consiste sobretudo em reconhecer cada conceito para o qual essa língua tem uma palavra, mesmo que a própria língua de quem aprende não possua nenhuma palavra que corresponda com exatidão a tal conceito, o que ocorre com frequência. Por isso, quando alguém aprende uma língua estrangeira, precisa delimitar várias esferas inteiramente novas de conceitos em seu espírito, desse modo surgem esferas de conceitos onde antes não havia nenhuma. Portanto, não aprendemos palavras apenas, mas adquirimos conceitos.” (SCHOPENHAUR, ARTHUR. A arte de escrever. p. 134).

    E, mais! Para refletirmos sobre o papel do Estado e do judiciário e na atuação desses para a efetivação de direitos, sejam eles individuais ou coletivos, principalmente, no que tange o objeto dessa denúncia poética: a violação do meio ambiente, realizada pela artista Jennifer Cabral, em sua obra MINE-IRA, podemos lembrar os ensinamentos do professor Lênio Streck: “O uso do Direito por meio de uma hermenêutica de sucedâneos para garantir interesses que não os que alega defender só vem a contribuir para o salto em direção ao abismo que o próprio Direito criou para si. Afinal: “não se pode dizer qualquer coisa, sobre qualquer coisa” E no campo do Direito a palavra não deve fracassar!” (STRECK, LÊNIO. Hermenêutica Jurídica e(m) Crise. Uma exploração hermenêutica da construção do Direito)

    Aprendamos!

    MINE_IRA no mundo

    MINE_IRA é um dos meus projetos mais pessoais e íntimos, mas de alguma forma este trabalho ressoou em lugares distantes como Alemanha, Itália, Nova York e São Petersburgo. MINE_IRA foi um dos vencedores do Latin American Photography 2019  https://www.ai- ap.com/slideshow/LAF/8/?status=selected em Nova York. Tambem foi incluído numa exposição online da revista Der Greif, na Alemanha (https://dergreif-online.de/guest-room/john- fleetwood/); recebeu menção especial na publicação italiana URBANAUTICA (https://urbanautica.com/call/opencall_extinction/1171); e foi incluida no blog da LANDSCAPE STORIES na edição #30 dedicada ao tema de arquivos (https://landscape- stories.tumblr.com/tagged/Jennifer%20Cabral) .

    Outro espaço em que MINE_IRA foi difundido é o LADIES DRAWING CLÜB que sustenta uma comunidade independente para representar e apoiar mulheres emergentes nas artes do mundo inteiro. Como uma publicação independente, elas criam edições promovendo artistas, muitas das quais representam. (https://ladiesdrawingclub.com/LADIESDRAWINGCLUB/gallery/ )

    Quando chegou a hora de compartilhar esse trabalho em minha terra natal eu fiquei um pouco apreensiva me perguntando se haveria uma ressonância com aqueles que vivenciaram o mesmo tempo e espaço de Minas que eu. Mas a resposta foi muito positiva e ficou claro que aquelas lembranças não eram só minhas, mas de outros mineiros também.

    MINE_IRA foi selecionado como parte do Festival de Fotografia de Tiradentes em sua 10ª edição. A equipe curatorial foi composta por Anna Karina Bartolomeu, Gabriela Sá e Madu Dorella. Eles selecionaram 42 fotógrafos para fazer parte da exposição Traços do Singular entre mais de 649 inscrições. Mas o festival teve que ser cancelado por causa da pandemia e foi limitado a exposição online. Quando ocorreu a 11ª edição do Festival de Tiradentes de forma presencial em março de 2022, uma das fotografias da série MINE_IRA foi finalmente exposta ao público. MINE_IRA também fez parte de duas exposições coletivas na região onde moro: uma na galeria JKCGallery uma galeria dedicada a fotografia de artistas internacionais e regionais, e no espaço Artworks Trenton.

    Para conhecer mais sobre a artista plástica e fotógrafa acesse: www.piercecabraleditions.com

    Entrevista com a artista plástica e fotógrafa, Jennifer Cabral, realizada em 01/08/2022.

    Lílian Oliveira é gestora cultural, parecerista da FUNARTE, IBRAM, IPHAN e FBN, idealizadora do Contaminações – Fórum das Artes Visuais, e fundadora da Diálogo — gestão cultural e responsabilidade socioambiental.

  • Cartun da Lilly: Retomada

    Cartun da Lilly: Retomada
  • 7 Fatos sobre a posse do Presidente Lula

    7 Fatos sobre a posse do Presidente Lula

    Por Caio Clímaco

    1 – Dando um início “informal” a cerimônia de posse do presidente Lula, as trabalhadoras da limpeza do Palácio do Planalto desceram a rampa e foram ovacionadas pelo público presente, limpando a casa das impurezas energéticas deixadas pelo inominável.

    2 – Os dias que antecederam a posse do presidente foram marcados por ameaças terroristas. No dia 24 de dezembro uma bomba foi encontrada em um caminhão tanque próximo ao Aeroporto de Brasília. No dia 31 houve uma suspeita de bomba próximo ao Ministério da Economia. No dia da posse (1 de janeiro) houve suspeita de bomba no metrô de Brasília.

    3 – Mesmo com um efetivo militar de 700 policiais federais, esquadrão antibombas, agentes à paisana, snipers, armamentos, carros, motos, cavalaria, câmeras, drones e demais tecnologias, as distintas forças de segurança não foram capazes de evitar a infiltração de pessoas por trás do predio do STF.

    4 – Foi utilizado pela primeira vez pelas forças de segurança a arma australiana DroneGun Tatical, tecnologia que intercepta e toma o controle de drones suspeitos. Por “precaução” um drone foi abatido conforme confirmado pelo ministro de Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino que disse também que tem certeza de que há uma “arquitetura institucional” para financiar o que ele chamou de “ensaios de terrorismo” e que o alvo das investigações recairá sobre uma “rede criminosa”.

    5 – Por ter atentado contra a democracia durante o governo anterior e principalmente no período eleitoral, dificultando o exercício do direito ao voto de incontáveis eleitores, a Polícia Rodoviária Federal foi vaiada todas as vezes em que passou em frente ao público que estava presente no Palácio do Planalto.

    6 – Os bombeiros militares cumpriram um papel essencial. Sob o sol escaldante de Brasília, os oficiais refrescaram a festa jogando muita água na gente, na ânsia de registrar todo e qualquer momento, quase perdi meu equipamento rs 😅

    DENÚNCIA

    7 – Estive entre os primeiros fotógrafos a passar em frente ao Palácio da Alvorada no dia da posse. Por ter chegado cedo, precisei ir atrás de uma tomada para recarregar meu telefone. Fui atendido por seguranças terceirizados que estavam em um posto de controle na Praça dos Três Poderes e permitiram que eu ficasse lá por um tempo carregando meu celular. Ao ver o público começar a ocupar o seu espaço em frente ao Palácio do Planalto, um dos seguranças começou a incitar uma ação terrorista, dizendo que não seria tão difícil pegar um cabo elétrico e enchufa-lo nos gradis que cercavam o espaço, afim de causar a morte dos apoiadores do presidente que estavam ali.

    Seu próprio colega de trabalho o chamou – entre risadas – de “terrorista”. Reagi dizendo que a única coisa que todos nós deveríamos querer é chegarmos bem e vivos em casa, com a consciência limpa. No restante desse dia, eu passaria grande parte do tempo debruçado nesses gradis.

    O terror me cercou de perto mas felizmente não ocorreu nada e vencemos a Batalha da Posse. A denuncia de incitação ao terrorismo por parte do agente de segurança foi encaminhada para a Ouvidoria do Palácio do Planalto, para a @secomvc (responsável pela organização da atividade) e para a Segurança do Planalto.

    Estamos acompanhando os desdobramentos.

    possepresidencial #possedolula #governolula #lula #palaciodoplanalto #brasilia #distritofederal #terrorismo #terrorismonuncamais

  • As generosas palavras do companheiro Raphael Ruvenal

    As generosas palavras do companheiro Raphael Ruvenal

    Por Francis Ivanovich:

    Aprendi cedo que os amigos verdadeiros comparecem na vida da gente quando estamos passando por momentos difíceis.

    Não tive a sorte de ver pessoalmente a histórica posse do Presidente Lula. Me senti como o atacante que está com a bola diante do gol vazio e de repente o juíz apita o fim do jogo, sem tempo para fazer o gol.

    A Covid foi o meu juiz, apitando forte nos meus ouvidos, me dando cartão vermelho e me mandando para os vestiários.

    Passei um mal bocado e somado a tristeza. Hoje de manhã, em casa, diante de caixas de remédios, ouvi no celular uma mensagem do companheiro Raphael Ruvenal que me dizia que no ápice da posse, ele se recordou muito de mim e disse para um companheiro ao lado que eu merecia muito estar ali.

    São palavras maravilhosas, um remédio, pois certamente eu merecia estar ali sim. Sei da minha humilde contribuição para a vitória de Lula, junto aos companheiros e companheiras do PT, dos momentos mais difíceis que passamos, dando a cara à tapa, não se omitindo, exibindo publicamente as opiniões, fazendo denúncias, provocando reflexão sobre o Brasil que vivíamos e quem o comandava com irresponsabilidade. Além de recebermos críticas, etc. Eu realmente merecia estar na posse.

    Hoje, segunda-feira, 02 de janeiro de 2023, vi pela primeira vez no Diário da União um decreto assinado por Lula, me belisquei e percebi que não era um sonho, mas realidade.

    Agradeço de público ao companheiro Raphael Ruvenal pelas palavras que me emocionaram e que estão também contribuindo para a minha recuperação, a gente sabe quem é amigo de verdade.

    Lula presidente do Brasil. Obrigado Raphael Ruvenal, a luta continua. Amizade eterna!